setembro 3, 2020

Publicado por: Clave Consultoria

Como os vieses influenciam na tomada de decisão sobre pessoas

Tomar decisões sobre pessoas não é tarefa fácil. Constantemente nos deparamos com decisões que exigem rapidez e assertividade. Mas e quando essas decisões definem mudanças profundas? Será que você está decidindo de forma isenta? E se te dissermos que seu maior inimigo nesse processo é você mesmo? Ou melhor, a sua mente, ou seja, os vieses inconscientes!

Temos a propensão de procurar dados e informações que confirmem o que desejamos provar, ao invés de buscar argumentos que rejeitam nossa hipótese inicial.

Usar mecanismos para garantir a diminuição de vieses em processos de avaliação de pessoas (seja durante o recrutamento e seleção, avaliação de performance ou sucessão) serão cada vez mais comuns. A avaliação com viés impede pessoas de serem avaliadas de forma mais justa, por este motivo, cada vez mais os mecanismos que evitem estes têm sido considerados em processos de avaliação.

O que são vieses inconscientes?

Vieses inconscientes são a tendência do nosso cérebro de tomar atalhos mentais dependendo dos padrões a que somos expostos, um conjunto de estereótipos que mantemos sobre diferentes grupos de pessoas a partir de situações e experiências que vivenciamos ao longo das nossas vidas.

Todos temos este tipo de vieses. Eles carregam nossos valores e como julgamos o mundo, servem para nos proteger, mas também podem nos prejudicar.

Eles funcionam como um banco de dados pessoal que nos permite formar uma visão a respeito de tudo ao redor em nosso ambiente de interação, e algo muito importante é que acessamos estas informações de forma muito rápida, em questão de milésimos de segundos, de forma automática e inconsciente.

“Na sociologia encontramos viés também como a distorção do julgamento de um observador por estar ele intimamente envolvido com o objeto de sua observação.”

Tendemos a tomar decisões de todos os tipos de forma “instintiva” e não racional, analítica e pragmática, em coisas que assumimos sem evidência, em nosso “instinto”. São mecanismos automatizados que todos nós fomos programados para ter.

Para tentar entender como essa estereotipagem feita pela nossa mente funciona, podemos segmentar os vieses em alguns tipos principais, lembrando que são muitos. Em um processo de avaliação você deve se atentar principalmente a dois deles, o viés da similaridade e o viés da confirmação.

Viés da similaridade

É natural que gostemos do que é parecido com nós mesmos. Faz parte do ser humano separar as pessoas em grupos: um que nós fazemos parte e outro de pessoas diferentes.

Esse viés acontece quando nos deparamos com pessoas com quem temos algumas afinidades — por exemplo, gostam dos mesmos livros ou frequentaram a mesma escola, ou mesmo quando pessoas nos lembram de coisas e pessoas por quem temos afeto.

É um viés relativamente fácil de identificar, porque sabemos com quem sentimos afinidade. Mas é difícil conter os efeitos nas decisões de avaliação de pessoas, pois a nossa tendência é de relevar pontos de atenção e valorizar os aspectos que são similares a nós.

No estudo chamado “A Structure Approach to Strategic Decisions”, eles defendem que processos de entrevistas de emprego mais estruturados garantem maior assertividade nos recrutamentos.

Viés da confirmação

Quando fazemos um julgamento sobre outra pessoa, subconscientemente procuramos evidências para respaldar nossas próprias opiniões sobre essa pessoa. Fazemos isso porque queremos acreditar que estamos certos e que fizemos a avaliação correta.

Uma série de experimentos nos anos 60 sugeriu que as pessoas são tendenciosas, confirmando suas crenças pré-existentes. Trabalhos posteriores reinterpretaram esses resultados como uma tendência a testarmos ideias de forma unilateral, focando em uma possibilidade e ignorando alternativas. Em certas situações, essa tendência pode enviesar as conclusões das pessoas.

O filósofo e cientista inglês Francis Bacon, em Novum Organum, observa que uma análise tendenciosa das evidências guiou todas as superstições, fosse na astrologia, nos sonhos, nos presságios, nos julgamentos divinos e afins.

Ele escreveu:

O entendimento humano quando adota uma opinião (…) puxa todas as outras coisas para que apoiem e concordem com ela. E ainda que, no outro lado, haja casos em maior número e peso, ainda assim esse entendimento os nega ou despreza, ou, por alguma disfunção, os deixa de lado ou os rejeita.

Ou seja, nós tendemos a confirmar o pensamento que temos, procurando por provas de que estamos certos sobre algo ainda que não existam de fato.

O perigo do viés de conformação na avaliação e pessoas, é que nosso próprio julgamento pode estar errado e nos levar a avaliar de forma equivocada as pessoas levando a queda de produtividade.

Pensando sobre um Diretor avaliado em um processo de sucessão, por exemplo. Vamos supor que Mario, membro do Conselho, apoie o processo sucessório deste diretor pois todos que cursaram determinada universidade são bons e tem condições técnicas para assumir uma posição mais desafiadora. O que acontece nesse caso é que ele tenderá a buscar informações e opiniões que confirmem a sua crença. E quando se depara com outros profissionais com a mesma formação, que obtiveram sucesso, ele interpreta isso a favor da sua hipótese, “rejeitando” as informações de profissionais com a mesma formação que não são considerados de alta performance, confirmando então a sua crença.

É fundamental conhecer e saber diagnosticar os vieses que nos atrapalham na tomada de decisão , e claro, saber como solucionar esses problemas.

Identificar quando temos determinado tipo de raciocínio simplesmente por ser o caminho mais fácil. Ou porque queremos que seja assim, ou porque é mais confortável ir de acordo com o que os outros pensam, ou porque deu certo para outra pessoa, pode ser um sinal de que um viés está te atrapalhando na tomada de decisão. Neste contexto, é imprescindível avaliar de maneira fria, inteligente e mantendo os pés no chão, focando no que é real.

Assim, se conhecer e refletir sobre os motivos pelos quais você está tomando determinada decisão ajuda na eliminação de vieses. Bem como a utilização de múltiplas ferramentas nos processos de avaliação, contribui com uma visão mais analítica e ampla para tomada de decisões mais assertivas.

“No geral, quando as pessoas precisam tomar decisões estratégicas elas têm muitos dados na mão. O problema é que às vezes eles não estão sendo usados da melhor forma possível”, afirma o professor Olivier Sibony, da HEC Paris.

Até o próximo,

Quer saber como eliminar vieses no seu processo de avaliação, entre em contato com a gente.

 

Débora Honda

É sócia diretora da Clave Consultoria, atua há mais de 15 anos em projetos de ganho de performance e aprendizagem nos principais setores da economia. Especialista em Mapeamento de Perfil com projetos nacionais e internacionais de transformação do ambiente organizacional. Pesquisadora sobre os impactos da transformação digital no futuro do mercado de trabalho, já auxiliou grandes companhias na construção de suas estratégias de Talent Management.

Nina Trolly

É analista de marketing na Clave Consultoria. Com mais de 5 anos de experiência no mundo corporativo tendo atuado em multinacionais e empresas nacionais. Engenheira de Produção pelo Centro Universitário La Salle com dupla diplomação em engenharia pela Flórida State University. É aluna da pós graduação em Engenharia de Produção com ênfase em Gestão de Projetos pela Universidade Federal Fluminense.

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