setembro 23, 2020

Publicado por: Clave Consultoria

O Cuidado com os Colaboradores no Processo de Retomada aos Escritórios com Renata Filardi da FQM

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Em entrevista ao The New York Times (NYT), Preeti Malani, especialista em doenças infecciosas e chefe de saúde da Universidade de Michigan, afirma que é muito difícil estruturar um plano único de reabertura universal, já que as particularidades de cada setor ou de cada região devem ser levadas em consideração. “Reabrir é muito complicado. Não há modelo, nem manual”, diz.

Qual o cuidado estamos tendo com os colaboradores durante este período?

Essa semana trouxemos Renata Filardi, Head of Human Resources na FQMpara uma conversa sobre os desafios enfrentados diante o processo de retomada aos escritórios pelo qual a empresa está passando. 

Leia abaixo a entrevista na íntegra! 

Olá amigos da Clave, é muito bom ter todos vocês aqui conosco. Sejam muito bem-vindos a mais um podcast.

Hoje estamos aqui com uma convidada muito querida. Economista, coach executiva, com pós-graduação em gestão de pessoas e em neurociência, Renata Filardi. Atua a mais de 20 anos na área de recursos humanos e hoje é gerente executiva de recursos humanos na Farmoquímica mas também já atuou em mais de 9 anos na ABRH onde foi diretora, vice-presidente e atualmente faz parte do Conselho.

Renata, muito bom ter você aqui conosco, é um prazer enorme. Seja bem-vinda.

Eu que agradeço Ingrid, super obrigada pelo convite. Sempre bom estarmos falando das coisas que a gente vem fazendo no trabalho. Fazendo essa troca que é super bacana que acho que só enriquece a gente. Você que é uma super conhecida e parceira, obrigada pelo convite.

Bom, vamos falar um pouco então da vivência. Tivemos um ano que não foi um ano muito fácil, na verdade, um ano que ninguém tinha no planejamento estratégico, tivemos que nos reinventar, inventar novamente e a gente agora volta com algumas retomadas frente aos escritórios. Então conta para a gente, como foi esta tomada de decisão que vocês fizeram e que critérios vocês consideraram pra poder fazer a retomada aos escritórios?

Eu acho que a parte técnica é a parte mais fácil. Porque você definir um protocolo, faz uma comissão de crise, define um protocolo, tem todas as ações de retomada e você consegue fazer essa gestão no dia a dia.

Mas eu acho que o ponto principal, o principal pilar é a segurança. Seja da segurança da saúde das pessoas, seja segurança mental das pessoas, seja a segurança financeira.

Eu acho que a primeira coisa foi a saúde das pessoas, só vai voltar a trabalhar realmente quem tem segurança para trabalhar. A gente trabalha numa indústria farmacêutica então tive áreas que não pararam de fabricar em momento algum e ai teve toda uma mudança em termos de segurança do dia a dia. Seja de tomar a temperatura, de usar a máscara, de mudar todo refeitório, colocar o ônibus para as pessoas virem porque a gente não tinha esse transporte. Então toda essa parte técnica foi feita, dando segurança para quem já estava no trabalho no dia a dia.

O pessoal do BackOffice trabalhou o tempo inteiro em home office, então era segurança física de poder estar se locomovendo novamente, tinha medo de locomoção, como é que eu vou entrar encontrar gente no escritório, como eu vou fazer na minha alimentação porque eu almoçava em restaurante e não tem como eu almoçar em casa.

Todo esse olhar de saúde física e mental era muito importante, e também a financeira que era: se você não tiver coragem de voltar para trabalhar, você vai ficar em casa porque não vai ter corte de benefício, não vai ter corte de salário. As pessoas que estão trabalhando menos horas também não vão ter, então acho que é um tripé de segurança, física, mental e financeira. Isso que a gente quis passar o tempo inteiro e continua fazendo isso.

Hoje eu tenho gente que não está trabalhando e que já poderia estar, mas não tá porque tem medo ou porque tem o idoso na família ou porque tem filho pequeno escola ainda não voltou. Essa pessoa vai ficar desassistida? Não! Ela vai continuar trabalhando home office e a gente vai dar todo suporte para ela, mas eu tenho um grupo também que já voltou e tem aquele outro grupo que não pode voltar porque é o grupo de risco, mas que adoraria voltar. A gente tem todo um cenário que a gente precisa ficar administrando ao longo desse tempo, mas eu acho que assim, o principal é a segurança, seja mental, física ou financeira.

Você falou de vários pilares e trouxe algumas situações bem delicadas, de grupo de risco, a questão da Saúde Mental. Se você pudesse elencar, qual foi a principal dificuldade encontrada durante o processo de retomada? O que você percebeu que foi a situação mais delicada?

Na verdade, são três pontos que são importantes. O primeiro ponto é da comunicação. Você precisa estar comunicando o tempo inteiro e dizendo para as pessoas que a gente não sabe de tudo o tempo inteiro, que a gente tá construindo isso com todo mundo. Porque isso nunca aconteceu, a gente nunca passou por essa experiência. Ninguém sabe como fazer.

Isso foram ações que a gente foi construído no dia a dia e que a gente pode errar. Algumas ações, olha vamos voltar hoje, mas se amanhã aumentar a contaminação vai todo mundo voltar para casa, então isso não significa que daqui para frente tá todo mundo trabalhando no escritório, a gente volta para casa de novo.

Então acho que a comunicação de todo dia a gente dizer o que que tá acontecendo e como vai acontecer, dizer pra todo mundo que a gente não sabe de tudo e principalmente ter os executivos e o próprio RH também não como donos da verdade, porque a gente pensa em algumas ações e nem sempre são os melhores.

A gente tem que conversar muito com todo mundo. Eu acho que essas foram ações muito importantes, de a gente saber que cada um precisa entender. A gente precisa saber um outro ponto que eu acho muito importante também que é entender que cada pessoa é diferente.

Agora eu não posso dizer: para mim é muito fácil voltar, não tem problema para mim, minhas filhas tem 20 anos, ficam sozinhas em casa, meu marido também tá tranquilo, não tem ninguém do grupo de risco e minha mãe mora na casa dela então para mim é mais seguro. Mas eu tenho gente que não tem esse mesmo pensamento que eu, então a gente entender o contexto de todos os funcionários, entender como eles funcionam para poder ter esse olhar um pouco mais humano e mais personalizado.

Você falou sobre, por exemplo, se estivesse dando errado, voltaria todo mundo para casa. Que indicadores vocês foram acompanhando então, para poder garantir a segurança desse processo?

Primeiro a gente tem gente trabalhando no o Brasil inteiro. Eu tenho gente trabalhando em fábrica que não pode parar, eu tenho gente trabalhando no campo com os médicos, que são os representantes que fazem a propaganda médica, e aí por exemplo, eles visitam hospitais e eles foram proibidos de visita, porque é um alto risco de contaminação. Eu tenho pessoal BackOffice que fica nos escritórios. São públicos diferentes e eu tenho que mapear como está a contaminação nesses três lugares.

Então, no campo essas pessoas estão sendo contagiadas? Hoje já tem visitação a médico, essas pessoas estão com grande exposição, como está isso? Então a gente monitora grupo de risco, grupo de idade, gestante, a família, quem está suspeito, quem não está suspeito, quem realmente está contaminado.Temos todo esse olhar, como é que estão as cidades também, o nível de contaminação das cidades, para saber: olha, na Bahia você pode visitar, mas o Rio de Janeiro não. E aí esse olhar, que a gente faz semanalmente olhando e fazendo fechamento com que a gente traz da semana passada para poder saber quais ações da próxima semana.

E o nível de contaminação interna, que foi super pequeno. A gente tem hoje 1.500 colaboradorese tivemos mais ou menos 5% da população que pegou coronavirus, sendo que a grande maioria no começo, nos dois primeiros meses quando a gente teve um pico maior. Agora já ta bem mais tranquilo.

Mas isso é um problema porque no momento que as pessoas voltam e elas entram na rotina, elas começam a abrir a guarda e aí já não querem mais ficar com a máscara sentados no escritório, já chega fulano e dá um abraço, já querem ficar juntos no refeitório, vão todos almoçar juntos no restaurante, então começa abrir a guarda e ai a gente tem um problema que pode ser aquele aumento de novo da contaminação.

Temos que ficar o tempo inteiro comunicando, para que: lembra a gente… Agora mesmo acabei de receber um e-mail de uma colaboradora de Pernambuco, dizendo que essa semana é 22% de aumento de contaminação na cidade de Recife. Gente precisamos usar as máscaras, tem que fazer tudo certinho, então ela mesma foi proativa em pegar a lista de todos os colaboradores passar. Falei poxa, parabéns, Therezinha, você arrebentou.

Vamos incentivar, mais ainda essa comunicação. Mas é isso, é uma coisa diária que a gente tem que estar olhando para a gente mesmo. Porque a gente que pode ser o vetor de contaminação né.

Vamos lá, você tem alguma dica que você daria ou lições que você vem aprendendo? Porque você mesmo falou assim: a gente está aprendendo né, não temos todas as respostas. Que dicas você deixaria ou que lições você deixaria para as empresas que estão passando, agora, por essa retomada?

Eu acho que assim, é possível retomar. Contanto que você tenha todas as ações de segurança possíveis porque é importante isso.

Eu acho que, pontos importantes: Comunicação efetiva de tudo que tá acontecendo com as ações que a empresa está tomando, a comunicação de como a gente não pode esquecer de agir no dia a dia porque a gente vê isso constantemente no escritório, que eu não passei álcool em gel na mão, eu fui ali e tirei a máscara para falar, eu tô junto cafezinho e não pode. Isso tem que ser o tempo inteiro reforçando.

Para os gestores e executivos, eu acho que é muito importante eles se colocarem no lugar do outro porque a gente tem realidades diferentes. Eu às vezes entro no meu carro sozinho, me desloco sozinho, paro na garagem, subo e me sento na minha sala. É muito mais fácil. Mas e quem pega o BRT cheio de gente? Quem pega o trem? Quem pega um ônibus? Então se põe no lugar do outro, quem tem uma filha pequena e não pode deixar? Será que esses casos, como é que a gente age?

Não, vamos deixar em casa, home office, a pessoa pode desenvolver o trabalho dela da melhor forma. Se for da produção não tem como, a pessoa tem que ir. Mas dar todo suporte para que as pessoas consigam trabalhar. Acho que esse é o ponto principal. Comunicação e escutar as pessoas entender como é que as pessoas estão se sentindo.

Renata, muito obrigada por esse encontro, por esse bate-papo, pela troca da sua experiência. Eu tenho certeza que outras empresas ao escutar você, vão se sentir aí, pelo menos com algumas trilhas já possíveis de como saber, como começar né esses primeiros passos.

Então muito obrigada pelo seu tempo, pela sua disponibilidade e pela parceria de sempre. Muito bom ter você aqui com a gente no canal da Clave.

Eu que agradeço estar aqui podendo falar um pouquinho de como estamos trabalhando na FQM e aprendendo todo dia. Para a gente, que estamos vivenciando isso é fantástico porque é experiencia e aprendizado e daqui pra frente vamos tirando de letra.

Ingrid Emerick

É psicóloga, Head of Talent Acquisition and Talent Management da Clave Consultoria, atua há mais de 15 anos em projetos nacionais e internacionais de Atração e Seleção. Especialista em mapeamento de perfil, para apoiar as empresas em suas tomadas de decisão mais assertiva.

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