novembro 19, 2020

Publicado por: Clave Consultoria

Inteligência espiritual, expansão de consciência e autoconhecimento: isso tem a ver com sucesso?

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    Você sabe o que é expansão da consciência e porque esse termo tem se tornado cada vez mais presente?

    A expansão da consciência envolve a ampliação das percepções sobre si mesmo e em relação ao mundo ao seu redor.

    Saímos de uma onda onde Daniel Goleman nos trouxe a visão do Coeficiente Emocional, de como elaboramos comportamentos e emoções e de como reagimos a estímulos por meio da nossa Inteligência Emocional e hoje, estudos mostram que existe um outro coeficiente que precisa ser considerado, o Coeficiente Espiritual. Que nada tem a ver com religiosidade, mas sim com a profunda conexão que fazemos com nós mesmos e com o mundo a nossa volta.

    Trouxemos Ana Cláudia Freire, Executiva de Talentos LATAM na Divisão Global de Business Services na IBM, para conversar conosco. 

    Olá a todos da Clave. Muito bom ter vocês aqui no nosso canal. Hoje a gente está com uma convidada que me e sinto extremamente feliz de ter ela aqui comigo, Ana Cláudia.

    Ana Cláudia hoje está na IBM, é Executiva de Talentos Latam, na Divisão Global de Business Services. Ana prazer enorme ter você conosco aqui no canal da Clave falando de um tema tão relevante que é espiritualidade, autoconhecimento e o quanto essa consciência nos ajuda na expansão de quem somos, como pessoas, como profissionais. Vamos falar um pouco disto?

    Eu que agradeço, Ingrid. Muito especial estar podendo falar desse tema que me conecta tanto as minhas causas particulares, uma série de drives que eu tenho cultivado muito ao longo da minha carreira e que nesse momento de vida, de mundo, eu acho que é inevitável a gente não considerar.

    Então vamos começando, Ana? O que você entende por essa expansão da consciência? Vamos falar a respeito disso, o que seria?

    Quando você me convidou para falar um pouquinho sobre esse tema de inteligência espiritual na expansão da consciência e autoconhecimento e o que que isso tem a ver com carreira o sucesso, eu fiquei elaborando muito o que que eu iria compartilhar com vocês.

    E aí eu acho que é bom a gente trazer para perspectiva, exatamente o que a gente está querendo dizer com isso. Para trazer e colocar em perspectiva corretamente, as pesquisas vem avançando e elas trazem – tem um livro da Dana Zahar que aborda exatamente sobre isso, sobre a questão do coeficiente espiritual – então as pesquisas vem evoluindo ao longo dos tempos e trazendo novas variáveis, novos “drives” para a gente considerar nessa análise do que é esse ser humano tão múltiplo e tão cheio de possibilidades.

    Então, a gente saiu de uma primeira dimensão que era o QI, com testes de QI, testes de inteligência, onde se avaliava muito a capacidade cognitiva. Depois se avançou um pouco mais e o Goleman trouxe a visão do coeficiente emocional, e se falava muito sempre da inteligência emocional, e do como a gente elabora comportamentos e emoções e de como a gente reage a estímulos. E agora a ciência está mostrando que existe um outro coeficiente que precisa ser considerado que é o coeficiente espiritual. E aí se fala muito dessa inteligência espiritual.

    A ciência também vem mostrando, as pesquisas vêm mostrando, o próprio livro da Dana Zahar fala sobre isso, que para cada uma destas inteligências, tanto o QI, quanto o QE, e agora o QS, e o S de spiritual, tem áreas específicas do cérebro onde isso opera melhor. Inclusive no livro dela, ela fala que o que o QS está associado – se verificou na pesquisa, que não foi ela que encaminhou, mas ela traz como fundamentação – que existe, e ela inclusive usa a expressão em inglês traduzido  um “ponto de Deus no cérebro”.

    Independentemente do que a gente entende o que é Deus, eu acredito muito nesse conceito de uma força que une a todos, uma energia cósmica e universal, que ela passa e está dentro das pessoas, e que esse estar dentro das pessoas, portanto de todas, as conecta.

    E no momento que as conecta, dá a elas a possibilidade de entendimento sobre o porquê eles estão nessa dimensão, a serviço do quê, qual é o seu papel nesta jornada de vida e nas interações que estabelecem, nas carreiras que escolhem, ou seja nas entregas de vida que elas têm ao longo da sua jornada, do seu tempo.

    Eu trouxe isso para perspectiva, para exatamente responder agora ,de maneira objetiva, para você o que que é essa expansão de consciência. Quando a gente está falando de inteligência espiritual, expansão de consciência e autoconhecimento, é exatamente essa possibilidade da gente alargar esse entendimento sobre quem somos e a serviço do que estamos, para que a gente possa entender melhor a nossa contribuição na humanidade e oferecer essa contribuição, de maneira leal e coerente com aquilo que a gente investigou sobre nós mesmos e sobre o significado da nossa existência.

    O ponto principal dessa é expansão de consciência é menos individual e mais coletivo. Quer dizer, ela implica menos em eu só pensar em mim, a serviço do que eu estou, mas é principalmente você se localizar como ser conectado com um todo, um todo que ele é universal, que ele passa por todas as pessoas e portanto aquilo que você oferece como entregáveis, inúmeros, em todos os papéis da sua vida, impacta os que estão a sua volta porque, na verdade, se eu estou conectado a esse todo, eu estou conectada a todos. Então, se eu impacto alguém, eu impacto tudo.

    Eu gosto de um ponto que você trouxe, duas coisas na verdade que eu queria ressaltar e que eu super concordo, até porque como humanos a gente tem uma necessidade de se conectar para fora né!? Então por isso a gente tem a necessidade de viver em sociedade, por isso temos necessidade de relacionamento, por isso diante de um cenário como que nós vivemos não foi fácil as pessoas se fecharem nas suas casas principalmente os que não tinham com quem conviver. Isso até me lembrou um pouco aquele filme do Náufrago, enfim todo mundo queria ter uma Wilson num momento como esse. Sociologicamente a gente sabe que mais do que somente essa conectividade para com outro, eu preciso ter essa conectividade para comigo e eu tenho uma necessidade.

    Isso independente de raça, independente de gênero, independente de qualquer circunstância ou variável, antropólogos já viram e já verificaram isso, de que uma tribo, uma cidade com pessoas que o que pouco tem contato com a civilizações, ela sempre tem uma necessidade de se conectar mais do que somente com esse indivíduo que é parentalmente parecido com ele, mas com a necessidade de um ser transcendente, seja ele o que quer que seja. A gente tem essa necessidade de transcender, que esse processo de expandir mesmo, ainda mais essa consciência e isso é uma coisa Ana, que me chamou muita atenção.

    Alguns anos atrás quando eu estava numa outra empresa, a gente tinha um programa que foi a primeira vez que eu vi a empresa se preocupar, entender de que que nós somos seres que precisamos equalizar nossas emoções, tem uma baixa de energia em casa, e isso consequentemente impacta na minha carreira, porque nós somos um só. Não tem esse negócio de eu deixo a Ana em casa e leva a Ana profissional para o trabalho né, você se leva, você leva um pouco do trabalho para sua casa ainda mais hoje, onde tudo circula de fato no mesmo ambiente. A gente tem família em casa, todos mesmos trabalhos, então a gente na verdade é um ser integral que precisa desse equilíbrio, dessa equalização dessas energias, energia emocional, energia familiar, a energia da autoconsciência, e da espiritualidade, seja ela na verdade qual você acredita.

    E isso é algo que eu busco na minha vida sabe, então é legal ouvir você falar um pouco desse desdobramento histórico, da gente mostrar o quanto é um tema que vem aos poucos se descortinando e vindo sendo trazido para o meio corporativo que até então parecia trabalho totalmente dicotômico. Trabalho, casa e as coisas não se funcionam como se fossem ambientes e mundos paralelos. Agora a gente começa a ver que eles são as barreiras e as paredes, elas começam a cair e começam a se fundir.

    Você trouxe três pontos que eu queria explorar, que um é o seguinte, a Antroposofia, ela fala muito destes estágios de vida. Ela fala muito dos sete em sete anos e em cada um desses períodos de vida você está com uma energia.

    Isso tem muito a ver também com o físico, com a questão química e biológica da fase de vida, que eu quero dizer e, obviamente, uma determinada experiência de vida. Então é obvio que todos esses temas, que esse tema em especial que estamos trazendo aqui possa parecer muito distante para os que estão em uma fase de vida talvez mais tangível, precisando pegar e sentir que algumas coisas existem.

    E está tudo bem! O importante é só a gente entender que a nossa vida é uma vida de ciclos. Entender que, independente do ciclo que a gente esteja, o ideal, e aí você trouxe muito bem, é saber equilibrar. Obvio que se eu to passando uma fase de vida, que a energia é mais da produtividade, está tudo certo, mas equilibrar e ter a consciência, saber que sou mais do que isso, isso leva comigo, isso avança comigo, a minha carreira inteira e, portanto, as marcas do que eu vou deixar, do que eu faço ao longo dessa minha estrada, as pessoas que eu vou impactar. O que eu quero dizer é que não adianta você viver às vezes muito no imediato e só olhar para isso quando você está num outro momento de vida. Quando você olha para trás você viu o quanto, às vezes, de oportunidade você perdeu, de se conectar de maneira legitima com o que é essencial das pessoas, de você mesmo, etc. Então, esse era o primeiro adendo que eu queria fazer.

    Segundo, a questão da conexão consigo mesmo, ela passa muito pela própria neurociência e era da neurociência que eu queria falar. Você trouxe várias fundamentações teóricas, de áreas de conhecimento e eu tenho me envolvido em olhar um pouco para a neurociência e ela fala que uma das coisas para o equilíbrio da vida, dentre várias, é a auto empatia. A neurociência vem estudando muito o comportamento e ela fala da auto empatia.

    Para eu ter empatia com alguém eu preciso, primeiro, exercitar a empatia comigo mesmo, porque a neurociência fala da importância do autoconhecimento. Tem tudo a ver com que a gente está falando hoje. Aí se você não tem auto empatia, você não vai ter conhecimento porque falta você acolher aquilo que você manda bem, que você não manda, seus pontos de fraqueza, seus pontos de fortaleza. Olhar para você no espelho é uma jornada e uma prática que ela independe da fase de vida, embora pareça natural que em alguns momentos isso pareça imaterial.

    E o último ponto que eu gostaria de abordar é que tudo isso que a gente falou, remete para uma visão que ela é metafísica. Essa visão metafísica é muito agregadora quando a gente está falando de humanidade, quando a gente tá falando de senso de existência, quando a gente passa por eventos como esse de agora e a gente se descobre como ser tão finito e vulnerável diante, as vezes, de coisas que a gente sequer imagina que a gente era. Eu acho que conectar a gente com esse senso metafísico e vamos deixar de lado um pouco do inconsciente coletivo, do senso comum, do que se entende de metafísica.

    E outra coisa que eu acho que é muito importante destacar, que tudo isso que estamos falando de coeficiente espiritual, expansão da consciência, é diferente de religiosidade. É diferente de ser ou não religioso, do quanto eu estou próximo ou não de dogmas. Isso tem a ver mais com essa transcendência que você falou, com a minha capacidade de me conectar a algo que está além de mim, além do tangível, do material que eu consigo enxergar.

    Sim, perfeito. Então vamos começar falando um pouco de como isso interfere nas nossas relações, seja nossas relações familiares, seja nas nossas relações de trabalho. Como essa expansão interfere nas nossas relações?

    Tem o primeiro ponto que a gente explorou, que eu acho que vale a pena recuperar, que é o seguinte. Como a expansão  da consciência, a inteligência espiritual, ela pressupõe uma transcendência, como você mesma trouxe, uma percepção de que eu estou além do que é material e tangível e que eu faço parte de um todo, que não está se fechando em mim e que eu posso não enxergar mas eu estou conectado a uma energia cósmica e universal, que me vincula a esse outro. A capacidade de me relacionar com o outro implica na capacidade de me relacionar comigo mesmo.

    Resumindo, se eu sei que o outro faz parte dessa rede, da qual eu estou conectado, eu percebo que o outro sou eu, porque no final das contas se todas essas pessoas que ligam o universo, elas fazem parte de uma energia central e única, que ela é cósmica, e que ela emana para todos a possibilidade de conexão com algo maior, então no final das contas tem uma energia que origina.

    Existe origem energética e nós somos todos feixes dessa origem energética, nós somos um. E o fato de a gente ter essa consciência de que o outro sou eu, me torna mais responsável por aquilo que eu faço que pode impactar o outro. A consequência natural disso é positiva porque a minha vigilância, vamos chamar assim, meu zelo, a minha vigilância, a preocupação que eu tenho com aquilo que eu faço e reajo e como eu artículo essa capacidade de me relacionar comigo, com os outros, se eu exercito isso no meu dia a dia, o impacto vai ser positivo, as relações vão ser mais construtivas. Se eu me preocupo em reunir e me instrumentalizar de habilidades que vão favorecer a isso, portanto, o impacto que eu vou gerar na minha jornada pessoal e profissional, nos inúmeros papéis que eu exerço na vida, vão ser positivos.

    A gente sabe que as organizações hoje estão muito tóxicas, exatamente por um legado muito grande, muitos anos voltados por uma orientação a resultados, e ninguém está falando de visão anti resultados, mas o resultado não precisa conviver com uma visão predadora. O resultado pode conviver com uma visão de bons relacionamentos, impacto social, humanitário. E tudo desemboca daí, as relações de liderança, inspiração para o que se faz, modelos de papeis, exemplos que tenho que perseguir. Então o efeito dominó positivo, da onda de autoconhecimento, autoconsciência sobre as relações, ela é infinita.

    E até pegando esse gancho, que de alguma forma interfere, falando dessa inteligência espiritual, frente carreira e sucesso. Como ela interfere diretamente em frente a isso? O que que você acha que as pessoas às vezes não se atentam o quanto elas estão conectadas e relacionadas? Fala um pouco para gente a respeito disso.

    Eu acho que primeiro de tudo tem uma dimensão, que que eu falei que é qual é a sua marca pessoal nessa jornada? Quando você tem essa expansão de consciência, quando você trabalha sua inteligência espiritual e essa transcendência que a gente falou aqui, a gente tem uma consciência de que nós somos seres irrepetíveis. Isso aqui não é meu, essa expressão é de um imperador romano que ele era muito afeito a filosofia, não sei se era Marco Antônio ou Marco Aurélio, mas que ele era muito afeito a filosofia e ele falava isso, que cada ser que eu perco oportunidade de me conectar de maneira legítima, eu tô perdendo oportunidade de tomar contato com alguém irrepetível, não existe outro.

    E quando eu deixo uma marca pessoal com esse tipo de consciência, meu zelo, a minha preocupação sobre a natureza das relações, sobre a qualidade dessas relações que eu vou estabelecer, certamente, a minha marca pessoal, em termos de carreira, ela vai ser uma marca onde as pessoas vão lembrar daquilo que eu sou, daquilo que eu proporcionei, do impacto que eu gerei. Isso é sucesso. Sucesso é muito mais que hierarquia, status, isso são consequências, isso pode até vir mas o principal sucesso é essa coerência de conhecer seu significado e razão de ser nesse todo cósmico e universal, que te faz ser leal aos seu princípios e portanto leal com suas relações, leal nas empresas que você trabalha e nos resultados que você vai gerar, oferecendo o que é melhor de você. E aí, a ciência também mostra que esse espiritual traz uma capacidade imaginativa, de resolução de problemas, de uma inspiração, de conectar insights, muito poderoso. Que empresa não quer profissionais que estejam atentos, com uma grande capacidade imaginativa, que estejam gerando resultados, conseguindo oferecer respostas aos desafios de negócio. E isso pode viver em harmonia. Não existe dicotomias aí, então acho que esse é um ponto importe, falar de como esse coeficiente espiritual interfere na carreira e no sucesso.

    E aí Ana, eu acho que um ponto super importante, porque as pessoas podem estar ouvindo a gente e pensando como começar. Porque Ana, você sempre foi assim? As pessoas podem pensar que você é desse jeito, que elas não têm a mesma habilidade. Acho que é importante você trazer como isso começou com você e como hoje você pode trazer dicas as pessoas de como elas também podem começar independente do estágio que elas estão.

    Perfeito, eu acho que nem sempre eu tive esse nível de maturidade de consciência, isso a gente vai buscando e se exercitando, é igual muscular na academia. Muscular consciência, muscular emocional, essa conexão com a transcendência espiritual, também é uma prática. A gente precisa se dedicar para se transformar mais proficiente. Eu nem sempre fui assim. O que eu acho que me conecta são princípios e valores que eu sempre tive, vindos da família, onde a gente sempre acreditou em uma conexão para além do que conseguimos ver e isso sempre fez parte dos ensinamentos que tive na minha casa, por mais diversos nomes, por vieses de religiosidade as vezes ou não, mas na minha casa sempre existiu um direcionamento muito grande para a espiritualidade, para esta dimensão que não conseguimos explicar.

    E aí, como eu falei, eu acho que essa prática, esses valores vão aproximando a gente de gatilhos, estímulos que vão nos exercitando. Igual a gente quando está em uma academia, a gente busca um determinado objetivo de melhorar a saúde, a gente vai buscando. De alguma maneira isso também vem para a gente. Tem um lugar legal que tem uma filosofia legal, que tem a filosofia de trabalhar o corpo de forma saudável, tem uma nutricionista, então quando a gente se conecta com o objetivo, coisas vão agregando, trazendo esses inputs. Isso aconteceu também comigo.

    Faço parte já há alguns anos, meu marido faz parte, de uma sociedade místico- ilosófica, ela não é muito conhecida, a Rosa Cruz, uma sociedade muito parecida com a Maçonaria, também trabalha com o conceito de lojas, não é uma instituição religiosa mas como eu disse é místico filosófica e trabalha com uma série de ensinamentos e estudos, rituais e práticas que nos conectam com esse cosmo e o objetivo principal é o autoconhecimento e a expansão da consciência.

    Respondendo objetivamente o que as pessoas podem fazer, eu acho que a primeira coisa que temos que procurar é refletir, e eu vou usar uma frase do Leonardo da Vinci pra ajudar: “Tudo que está no plano da realidade já foi sonho um dia”. Então, pensa, o que eu quero que seja realidade na minha vida? O que eu quero que se manifeste na minha vida? Primeiro de tudo tem que estar no plano das ideias. O mito das cavernas de Platão já dizia isso.

    Então, falando sobre dicas, o primeiro ponto de reflexão é o porquê. As pessoas falam muito de proposito, acho até que o termo já está um pouco banalizado e, por isso, eu gosto de usar para traduzir um pouco: “essa causa”. A causa que é individual, que é coletiva e me conecta a esse porque maior.

    A conexão que está em tudo, entre as coisas, as nossas motivações profundas. Então acho que essa imersão interior é o primeiro caminho para começar nessa trajetória de reconexão comigo. Existe o exercício de praticar a reflexão e a conexão consigo mesmo, aquele momento seu. As pessoas têm falando muito de Mindfullnes, meditação, tem pessoas que conseguem e outras que não. Não temos que ficar na ansiedade de conseguir tudo, não tem que ser isso. Pode ser qualquer coisa, vamos para um jardim, vamos para frente do mar na praia, ter um momento seu, consigo mesmo, imerso em emoções, procurando expandir a consciência, está valendo!

    Eu acho que um ponto que você acabou de falar, nesse mundo tão frenético que a gente vive, só da gente desacelerar, desligar o celular e se permitir conectar com que está a nossa frente 100%, já é quase uma meditação. Porque gente fica, é celular, é e-mail e a gente as vezes está na praia, mas ficamos pensando em tudo que temos que fazer. A gente fica nesse tem que, tenho que chegar em casa, mas assim a praia está ali, o mar está ali, mas não me conecto com o ambiente. A gente deixa de aproveitar a presença.

    Eu acho que esse estado de presença, ele é conquistado de várias formas, desde que você realmente se permita. Acho que exercitar esse estado, como você falou, não é algo simples porque nós estamos sendo muito estimulados, mas é preciso.

    Se você se coloca pronto ou querendo estabelecer essa inteligência espiritual, expandir a sua consciência, navegar nesse universo do autoconhecimento, essa prática de ficar com você, de não se abandonar, de se acolher, de ter auto empatia, eu diria até assim, de tolerar as suas vozes internas, é muito importante para elaborar isso tudo.

    Eu acho que o ponto, Ana,  que você trouxe da questão da presença, de estar presente né da gente viver o agora, e eu acho que você conhecer toda a questão do quanto a gente precisa ter essa auto empatia, ou seja, essa autoconsciência um pouco mas mais apurada.

    Estágios como esse já vão nos levar a expandir um pouco mais, para poder pensarmos em algo maior. Então acho que é um excelente caminho, um exercício simples, para estar enquanto seu filho fala com você, você falar com ele. É prestar atenção no momento. É importante que a gente tenha isso além do outro, para nós mesmos. Seja no banho para deixar sentir a água bater, aproveitar para ali deixar ir o pensamento que precisa, esse conceito de renovação. Para você ir com toda força e energia para viver, ou para tirar e deixar ir aquele fluido para descansar no fim do dia.

    E deixar essa realidade se manifestar, porque olha lá a frase do Da Vinci, então se você não renova esse sonhos, você também não renova sua realidade, então esses momentos da conexão te permite um novo real, um novo manifesto e que ele está contigo, está em tudo.

    Se a gente olhar para natureza, ela já nos ensina tanto a aprender a viver. Às vezes a gente precisa aprender, ter paciência, não é de uma hora para outra. Então a gente poder aprender a cultivar, e o cultivo ele é diário é um processo. A gente não nasceu desse tamanho, nós nascemos pequeninhos, mas esquecemos disso.

    Para chegarmos a viver a gente teve que germinar, teve um tempo e até legal você estar falando isso que me permite contribuir.

    Dentro das dicas, eu gosto muito de filosofia. Estes dias eu vi uma palestra na IBM com o Leandro Karnal, e ele é um filosofo. Filosofia tem tudo a ver com resultado, com sucesso, com quociente espiritual, expansão da consciência, e uma das maiores capacidades que a filosofia nos da é a capacidade de fazer perguntas.

    Só vai além nas respostas obvias, para tudo na vida, inclusive para negócios, quem  exercita a capacidade de fazer perguntas. A filosofia tem técnicas para fazer perguntas, esse é o processo de buscar respostas, que não são definitivas, mas mostram o caminho para a humanidade. Então eu acho que isso também é um exercício que precisamos fazer, tomar contato com áreas de conhecimento que provoquem esse estimulo na gente.

    Eu gosto de uma frase de Ruben Alves que não lembro ao certo, mas é mais ou menos assim, pensar é estar doente do corpo. Crescer dói, mas as vezes a dor precisa existir para eu questionar o porquê. Imagina se o pé nunca crescesse eu andaria com o mesmo sapato, mas porque ele cresce eu vou vendo que não estou cabendo em determinado lugar.

    É o incomodo que nos faz mudar. E esse ano foi um ano de muito incomodo, mas consequentemente de muito crescimento. Aqueles que se permitiram viver a dor, aprenderam e se viram cada vez mais com a sua mente cada vez mais expandida.

    Ingrid Emerick

    É psicóloga, Head of Talent Acquisition and Talent Management da Clave Consultoria, atua há mais de 15 anos em projetos nacionais e internacionais de Atração e Seleção. Especialista em mapeamento de perfil, para apoiar as empresas em suas tomadas de decisão mais assertiva.