Estilos de Liderança: Diretiva ou Empoderadora, o que é melhor?

Liderar de forma diretiva ou empoderadora, o que é melhor?

Será que existe uma “fórmula mágica” para liderar de forma eficaz em um cenário de tanta incerteza? Antes de falar sobre liderança, voltemos ao contexto.

Sabemos que os papéis e responsabilidades dos líderes mudaram de forma drástica nas últimas semanas. A pandemia gerada pela COVID-19 abalou a economia global e, também transformou nossa maneira de viver, trabalhar e conduzir os negócios. Neste cenário, os líderes têm se esforçando para promover inovação, gerar receita e aumentar a participação no mercado e, simultaneamente, gerenciar consequências relacionadas à gestão de suas equipes.

Considerando então a individualidade de cada um de nós, a cultura da empresa da qual fazemos parte, o contexto atual e as particularidades das equipes, para ser mais eficaz e bem-sucedido, um líder deve ser capaz de adaptar seu estilo e abordagem a diversas circunstâncias.

As teorias situacionais da liderança trabalham no pressuposto de que o estilo mais eficaz de liderança muda de situação para situação.

Paul Hersey e Ken Blanchard, desenvolveram no fim da década de 1960 a teoria da Liderança Situacional, e identificaram que o líder de alta performance utiliza-se de diversas formas de liderar, adaptando-se de acordo com o perfil de cada profissional, avaliando aspectos como condições técnicas e inteligência emocional, aliando esses fatores ao contexto.

“54% dos líderes usam apenas um estilo de liderança, independentemente da situação o que quer dizer que em 50% do tempo, os líderes estão usando o estilo de liderança errado para atender às necessidades da sua equipe.”

“A liderança é a capacidade de influenciar os outros ao ativar o potencial e o poder de pessoas e organizações em nome de um bem maior.”

Ken Blanchard

Por exemplo, alguns colaboradores funcionam melhor sob a gestão de um líder que é mais autocrático e diretivo. Já outros, necessitam de uma liderança que recue e confie em sua equipe para tomar decisões e executar planos de forma autônoma. Da mesma maneira, nem todos os tipos de empresas e ambientes de negócios exigem as mesmas habilidades e características de liderança em igual medida. Alguns exigem uma grande quantidade de inovação, enquanto outros, o carisma pessoal e a conexão relacional com os clientes são muito mais importantes.

De acordo com essa perspectiva, Daniele Binci e Francesco Scafarto na publicação Leadership for Digital Working: Towards a Contextual Ambidextrous Approach, abordam a não existência de uma única abordagem eficiente para as relações líder-liderado, mas que sua eficácia depende basicamente do contexto.

Para tal, utilizam o conceito de ambidestria, inicialmente proposto por Duncan, e depois amplamente desenvolvido e aplicado.

“… is the ability to balance, in an integrated way, explorative and exploitative behaviors carried out by the individuals or teams for organizations’ survival and effectiveness”.

Tal conceito de ambidestria, é refletido em dois estilos de liderança: diretiva e empoderadora.

1)  Liderança diretiva

“Esse estilo de liderança é geralmente adotado em grandes organizações caracterizadas por processos, procedimentos e regras formais que são usados para controlar a produtividade e os comportamentos dos funcionários”. A liderança diretiva se mostra mais eficaz em organizações na quais regra, hierarquia e controle são métodos padrão para gerenciar pessoas. Assim, ela está associada ao direcionamento com foco na tarefa.

2)  Liderança empoderadora

Há o desenvolvimento das equipes sem a necessidade de supervisão direta e cultura de autorresponsabilização. Nesse estilo de liderança, a premissa é que os liderados executam melhor as tarefas quando realizadas de forma autônoma, e por esse motivo, as relações são permeadas por delegação, confiança mútua, consenso e igual responsabilidade.

Com base na perspectiva apresentada, na qual a liderança e sua eficácia dependem do contexto, não há consenso na literatura sobre a superioridade de um estilo sobre o outro. A eficácia da liderança parece, de fato, dependente do contexto.

Um bom exemplo, foi o cenário de adaptação ao trabalho remoto vivenciado recentemente. Muitos líderes, até mesmo os com estilo mais empoderador, precisaram adotar “temporariamente”, um estilo mais diretivo de liderança especialmente durante os estágios iniciais das interações em grupo online para o estabelecimento de regras e práticas à nova realidade do tarbalho.

Assim, para a adoção do chamado Smart Working (trabalho misto – no local e fora do local), uma abordagem ambidestra, ou seja, com liderança diretiva e empoderadora, será necessária. Podemos então concluir que não há uma maneira única e excelente para gerenciar pessoas, mas os líderes precisarão de cada vez mais autoconhecimento para apresentar o melhor estilo de liderança conforme a situação.

E para você, qual o melhor estilo de liderança?

Conte para nós.

Débora Honda é sócia diretora da Clave Consultoria, atua há mais de 15 anos em projetos de ganho de performance e aprendizagem nos principais setores da economia. Especialista em Mapeamento de Perfil com projetos nacionais e internacionais de transformação do ambiente organizacional. Pesquisadora sobre os impactos da transformação digital no futuro do mercado de trabalho, já auxiliou grandes companhias na construção de suas estratégias de Talent Management.